Depois de deixar a cidade de Puno peguei o ônibus com direção a cidade de Copacabana na Bolívia. A cidade é famosa pela ilha do sol e ilha da lua. Dentro do ônibus tive o desprivilegio de perceber que havia três brasileiros na mesma viagem que eu. Eram duas moças e um rapaz e para nosso desgosto uma das moças estava usando um lenço com a bandeira do Brasil na cabeça. As moças insistiam em falar alto para que todos pudessem escutar o seu português com um sotaque ridículo e várias vezes o comissário de bordo teve que chamar a atenção deles para que escutassem as informações que estavam sendo passadas.
Enfim é chegada a fronteira entre os dois países e tivemos que descer do ônibus para registrar a saída do Peru, atravessar a fronteira a pé de depois registrar a entrada na Bolívia. Na saída do Peru enquanto esperava na fila para ser atendido escutei uma voz conhecida discutindo com uma senhora na qual a mesma não entendia nada.
Olhei para traz e lá estava minha conterrânea brigando com uma senhora peruana que estava trabalhando fazendo câmbios de dinheiros. A minha amiga gritava em voz alta e em português perguntando se as notas não eram falsas porque ela somente sabia identificar as notas do seu país. “Duvido que ela saiba identificar uma nota de cinqüenta reais falsa. Era somente para aparecer.”
No momento eu tive vergonha dela ser brasileira porque todos que estavam ali presenciando a cena sabiam claramente de onde ela era. E como um diz um amigo que conheci nesta viagem o problema de muitos brasileiros é que eles somente são patriotas quando estão fora do país ou na copa do mundo.
Passado a burocracia da fronteira cheguei a cidade de Copacabana e imediatamente comprei uma passagem para ir para a ilha do sol, pois o barco já estava partindo. Pegamos o barco e dentro estava um grupo do Brasil que encontrei no salar de Uyuni. Depois de uma hora e meia cheguei a famosa ilha do sol e mais uma vez tive que enfiar a mão no bolso para pagar o ingresso na ilha. Este é um problema da Bolívia, aqui nada se vende junto sempre se paga tudo separado por tudo que vai fazer. Ao chegar a ilha durante o desembarque conheci dois rapaz do Rio Grande do Sul (Junior e Juca) no qual começamos a conversar e resolvemos fazer a caminhada juntos.
Realmente a ilha não me motivou muito devido a falta de organização na qual me deparei. A melhor parte da ilha foi à amizade com Juca e Junior que durante o percurso me contou que não havia feito a imigração para entrar na Bolívia e estavam partindo para o Peru no dia seguinte. Retornamos para Copacabana e Juca e Junior se hospedaram no mesmo hostel que eu. Saímos para comer alguma coisa e comprar as passagens para o próximo dia no qual eu iria para La Paz e meus novos amigos para Puno.
Na manhã do dia seguinte fomos caminhar um pouco pela cidade somente as margens do lago e resolvemos fazer um passeio de pedalinho para relembrar um pouco a infância. Terminamos o passeio e fomos comer alguma coisa muito rápido devido ao horário. Nosso ônibus estava marcado para as 13:00 horas e chegamos as 13:15, meus novos amigos não tiveram problema para embarcar e eu para variar não consegui encontrar um assento nos vários ônibus disponíveis para La Paz. Depois de conversar com a agente de viagem consegui uma acomodação dentro do ônibus e partir para a cidade de La Paz ansioso para chegar a cidade grande.